Andra Garside
Archive for November 2006
Nov
10

Escolas da rede municipal de Campina Grande enfrentam problemas no incentivo à leitura

Por:Andréa Garside e Déborah Freitas

Trabalhar leitura com crianças não é tão simples como parece, principalmente quando se fala de educação pública. As escolas da rede municipal de ensino de campina grande, por exemplo, tem enfrentado um problema cada vez mais visível nesse sentido. As crianças são pouco incentivadas a ler qualquer livro fora do conteúdo escolar, algo que compromete de maneira significativa o processo de aprendizagem. As escolas, às vezes, até dispõem de acervo literário considerável, mas a falta de um espaço físico reservado para eles é um problema que dificulta ainda mais a aproximação dos alunos com os livros.
A Escola Municipal Professora Francisca Zena Brasileiro é um bom exemplo disso. Segundo a secretária Euridéa de Oliveira, 51, o grupo escolar dispõe de cerca de mil livros, e a grande maioria é de livros paradidáticos, como contos e romances. Os livros pedagógicos também fazem parte do acervo, mas ocupam o almoxarifado e a secretaria da escola. Todos os anos o colégio recebe livros do governo, mas também conta com doações de livros usados, cedidos pelos moradores da comunidade e por professores. Os volumes são catalogados e classificados por categoria, para facilitar a organização, mas o ideal seria que eles ocupassem uma biblioteca, o que poderia atrair as crianças, muitas vezes desmotivadas pelas circunstâncias sociais em que vivem. Isso acarreta uma falta de interesse que se reflete no aprendizado em sala de aula.
Na Escola Municipal Manoel Francisco da Motta, o caso é diferente. Existe uma sala de leitura, com cerca de 400 livros, mas o que falta é interesse, muitas vezes por parte de alguns professores, que têm liberdade para fazer uso do espaço, mas raramente o fazem. Mesmo assim, alguns alunos procuram, por conta própria, o espaço de leitura, e aproveitam o intervalo entre as aulas para ler. “Este ano nós deixamos que os professores vissem a necessidade de ir até a sala de leitura com seus alunos”, afirma o diretor da escola, Flaviano Aguiar. Ele também pretende organizar uma campanha de doação de livros para atingir a comunidade, e fazer com que ela também se interesse pela leitura e passe a fazer uso da biblioteca.
A Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal tem investido em projetos de incentivo à leitura, mas enfrenta problemas estruturais, como a falta do espaço físico nas escolas destinado à biblioteca. Apesar disso, há cerca de 40 salas de leitura, sendo 23 delas oficiais e as demais improvisadas, o que vem proporcionando mudanças na pratica da leitura dos alunos das escolas publicas de nossa cidade. O secretário de Educação do município Flávio Romero vem observando grandes melhoras depois da implantação das bibliotecas em algumas escolas:“A criança é despertada para a leitura em sala de aula, e motiva o pai, que muitas vezes passa a participar dos nossos cursos, e ser incluído nos programas de alfabetização de jovens e adultos”. O que mostra a importância de se investir na leitura e na educação das crianças.




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